Aprendizado da linguagem / Linguagem falada X Linguagem escrita

Introdução

Quando falamos e estudamos a linguagem, percebemos que, diferente do que se pensa inicialmente, não possuímos um único tipo de linguagem, mas sim, várias possibilidades de linguagens. Desta forma, podemos entender a linguagem como uma forma ou expressão de comunicação. Assim, ao estudarmos a linguagem e formas diferentes de comunicação, dividimos a mesma em duas grandes categorias, sendo:

  • Linguagem verbal: representa o tipo de linguagem ou comunicação verbalizada, como o próprio nome sugere. Porém, a linguagem verbal ainda pode ser classificada como linguagem verbal escrita e linguagem verbal falada.
  • Linguagem não verbal: A linguagem não verbal é a forma de comunicação realizada através de expressões. Não há verbalização, porém, podemos nos fazer entender através de expressões faciais ou corporais, como expressão de dor, satisfação, alegria, entre outras.

Linguagem verbal

Dentro de linguagem verbal, como já foi citado anteriormente, dividimos essa forma de comunicação em duas grandes categorias, sendo formadas pela linguagem verbal escrita e a linguagem verbal falada.

Neste post, estaremos estudando as diferenças de aprendizado entre as linguagem verbal falada e a linguagem verbal escrita, como veremos a seguir.

Sabe-se que todo aprendizado é derivado de repetição. Desta forma, quanto mais estímulos sensoriais nosso córtex cerebral recebe, melhor é a capacidade de organizar respostas bem programadas, bem como, melhores são as memórias referentes àqueles estímulos recebidos.

Sabemos que o córtex cerebral é dividido e organizado em áreas com funções específicas. Desta forma, cada tipo de estímulo é responsável por estimular uma determinada área, e, quanto mais estimulada uma área, maior sua memória sensitiva e melhores as suas respostas a esses estímulos. Porém, ao estudarmos a linguagem, devemos observar duas importantes áreas envolvidas em qualquer processo de linguagem e comunicação, que são as áreas de Wernicke e de Broca.

Área cortical de Wernicke

A área de Wernicke representa a área sensitiva da fala. Essa área é responsável pela associação de todos os estímulos sensitivos referentes a linguagem e comunicação para, desta forma, interpretar, associar e, consequentemente, elaborar e programar uma resposta mais adequada a cada estímulo.

Representação das áreas corticais do lobo parietal
Fonte: auladeanatomia

A área de Wernicke aparece na imagem representada pela coloração azul clara, sendo representada morfologicamente pelo giro supramarginal. Podemos observar que essa área se localiza em uma região estratégica do córtex cerebral, entre várias outras áreas corticais sensitivas, tendo assim, a capacidade de associar vários estímulos sensitivos relacionados a linguagem.

A após a associação dos estímulos sensitivos e a programação da linguagem que ocorre na área de Wernicke, essas informações vão precisar serem transferidas para a área cortical responsável pela motricidade da fala.

Todas as informações motoras estão relacionadas ao córtex frontal, principalmente ao giro pré-central (área motora primária) e ao córtex pré-frontal (área motora de associação e planejamento. Porém, antes de chegar nessas áreas, as informações derivadas da área de wernicke viajam através de um conjunto de axônios denominado feixe arqueado da área de Wernicke para a área de Broca, sendo esta, a principal e primária área motora da fala, como veremos a seguir.

Área de Broca

A área de broca é conhecida como área motora da fala. É a primeira área do córtex frontal a receber as informações de programação da linguagem derivadas da área de Wernicke através do feixe arqueado e, desta forma, vai ser responsável pela organização das respostas ou atos motores responsáveis pela linguagem.

Representação das áreas corticais do lobo frontal
Fonte: auladeanatomia

Localizada no lobo frontal, mais específicamente no giro frontal inferior, a área de Broca tem comunicação direta com as áreas motoras primária (giro pré-central) e córtex pré-frontal (giro frontal médio). Desta forma, a programação motora da linguagem verbal, tanto escrita quanto falada depende desta ponte entre a área de broca e as áreas motoras superiores.

Mas qual a diferença entre a linguagem verbal falada e a linguagem verbal escrita, tema deste post?

A grande diferença entre essas formas de linguagem verbal está, na verdade, na qualidade do estímulo recebido e nas áreas corticais sensitivas relacionadas e ativadas pelos mesmos.

Quando pensamos em linguagem verbal escrita, pensamos no grafismo, e, consequentemente, dependemos de estímulos visuais para uma memória da palavra escrita e consequentemente, para o aprendizado da palavra escrita ou linguagem escrita.

Já quando pensamos na linguagem verbal falada, dependemos de outro tipo de estímulo, o auditivo, localizado em outra área cortical sensitiva, que quanto mais estimulada, maior a capacidade de memória auditiva e consequentemente, melhor o aprendizado da fala.

Fato é que, independente dos estímulos sensitivos relacionados a expressão da linguagem, tanto falada quanto escrita, os mesmos devem passar da respectiva área sensitiva para a área de associação ou área sensitiva da fala, onde ocorre a programação da linguagem e de onde partem os estímulos para a área de Broca pelo feixe arqueado.

Circuito neuronal da linguagem falada

Como dito anteriormente, a linguagem falada é dependente de estímulos sensitivos auditivos. As áreas relacionadas a audição se encontram no córtex temporal, de onde partem para o a área de Wernicke para, daí, haver a programação e posterior envio para a área motora da fala (área de Broca).

Ilustração das áreas sensitivas auditivas, localizadas no córtex temporal
Fonte: auladeanatomia

Como podemos notar na imagem acima, as áreas sensitivas auditivas localizadas no córtex temporal ficam localizadas próximas à área de Wernicke. Desta forma, o trajeto inicial da linguagem falada parte das áreas auditivas para a área de Wernicke, de onde passa para a área de Broca pelo feixe arqueado, até atingir as áreas motoras superiores responsáveis pela motricidade.

Circuito neuronal da linguagem escrita

diferente da linguagem falada, a linguagem escrita depende de estímulos visuais gráficos. Logo, a área sensitiva associada a linguagem verbal escrita é a área visual, localizada no córtex occipital.

Imagem ilustrativa da área sensitiva visual no córtex occipital
Fonte: auladeanatomia

Como pede ser notado, a informação visual é percebida ou recebida na área sensitiva visual primária, localizada no polo occipital do córtex occipital. Essa informação visual referente a grafia vai passar então para a área de Wernicke, de onde, da mesma forma que aconteceu com o aprendizado da fala ouvida, vai dar início ao trajeto de interpretação e associação (área de Wernicke), transição para a área motora da fala (área de Broca) pelo feixe arqueado, e, de lá, partindo por axônios ascendentes para as áreas motoras corticais superiores.

Conclusão

Como podemos ver, o trajeto da informação referente a linguagem, partindo da área sensitiva da fala ou área de associação cortical da fala, denominada área de Wernicke, é sempre o mesmo. A grande diferença entre as diferentes formas de expressão da linguagem está na qualidade dos estímulos sensitivos recebidos, bem como na sua quantidade, uma vez que o aprendizado é derivado de repetição.

Como a área de associação e programação é a mesma, quanto mais estímulos recebidos, melhor e mais facilitado é o aprendizado. Porém, as memórias dependem muito também da diversidade de estímulos diferentes, responsáveis por estimular áreas corticais diferentes para uma mesma finalidade. Assim, percebemos que não só a quantidade, mas as diversidades de qualidade de estímulo são determinantes para um melhor aprendizado e, consequentemente, melhor comunicação verbal, tanto escrita quanto falada.